12.12.07

Feliz Natal

O quarto de pensão é barato. O sol não entra. A lua não entra. Só eu entro e saio. Minha vida tem sido um inferno, os tiros na favela ao lado não me deixam dormir sossegado. A tranqüilidade não me existe. Se pudesse, mataria um. Mas é natal e meu instinto já não é mais o mesmo, meu sangue deu uma esfriada.

Já matei muito vagabundo. Fiz sim justiça com as próprias mãos. Matei de todo tipo. Fumador de pedra. Ladrão da pesada. Dono de boca. Ladrão de carteira. Aviãozinho. Pai de família. Estudante. Crianças. Um monte mais. Morreram porque tavam no lugar errado na hora errada. O que eu podia fazer? Se chegava num bar e o vagabundo que eu queria tava no meio de várias outras pessoas, mandava ver, atirava até ver o último cair. Sem dó. Vagabundo tava ali, e se eu vacilasse perdia de vista, e nunca mais.

Esses lazarentos estão desde ontem com esse tiroteio do caralho, comemorando suas desgraçadas vidas, se fosse antes subia lá e matava todos, sem dó. Só na cabeça pra economizar munição. Aprendi a atirar na pratica, matando vagabundo. O que me amolece de não ir até lá e matar todos aqueles pilantras é o natal que sempre passo sozinho, desde quando minha mãe foi morta por um vagabundo que enfiou o canivete na coitada porque não quis dar a bolsa. Desde então passei a viver em quartos de hotéis e pensões baratas. Por culpa de um desgraçado desses não pude retribuir pra minha coroa o que ela havia feito por mim. Eu amo quando fecho o paletó de um tipo desses.

Sou um ser humano solitário, não pago pra ver e não creio em todos que me rodeiam. Faço meu corre pra sobreviver e o resto que se foda. Assim foram comigo, assim sou com todos. Não tardo a esculhambar vagabundo na rua, só não me atrevo a matar em locais públicos porque posso ser preso e ser preso por matar vagabundo é foda, por que na cadeia tá cheio deles.

Não me permito discutir com policial, meu caso é complicado, vivo da renda de ações que garantem o meu sustento e não quero milicos me atravessando o caminho e me tomando pra cristo levando-me tudo. Eu não sou ladrão, mas os caras são.

Já fui periculoso. Me contratavam pra fazer serviços nas quebradas, ora comerciantes afim de se livrar das tranqueiras do bairro, ora fazendo o trabalho sujo da policia. Hoje sou mais sossegado. Vivo na tranqüilidade da aposentadoria, só quero terminar meus dias solitários subindo um vagabundo de vez em quando.

1 comment:

palomaklan said...

Tô sabendo que agenciar justiceiro dá uma grana, ainda mais no natal que também é época de décimo terceiro.

Vou deixar meus contatos com aquela vaca gorda da pensão meia boca que ocê mora