1.2.10

{:::}

na boa,

tudo foi bom,

mas o pé de frango

estava azedo.

22.9.09

{:::}

no sentido contrário,

minha gente anda

contra a parede,

numa pobreza esperta.

15.9.09

{:::}


pelo olhar,

de um latino incorrigível

em tempos e lugares

além da vida e da morte

um sonho distante,

entre vida e obra

durante parte da vida,

sem as asas do bom senso.

11.9.09

{:::}

vivo

só -

zinho

a vida

sem dar

conta

de recados.

10.9.09

Que graça tem?

Que graça tem,

comer o que não tem?

Qual é a graça

de passar o comparsa pra desgraça?

Servir ao ódio não posso.

Mas como servir ao amor sem amigos?

Propriedades, pobreza e destruição.

Pegar a navalha e meter na carcaça.

Tufão varreis esse mundo cão!


Em parceria com JPR (ebolas) a muitos anos.

7.9.09

Amanheço quando a noite cai,

e toda uma ânsia se dilui

com os tons avermelhados do céu.

Chovo ao som de diversos cantos

Ritualizando a chegada da noite.

Lembranças de concreto me escondem.

Sinto um frio condensar-me a costela.

Será calafrio ou tristeza vazia?

Será desilusão ou noite finda?

É febre, febre fria!

6.9.09


(...)

*Tradução de Isabel Abascal


huye todo lo que soñé
la vida después,
está haciendo falta
... ... ... ... ... ... ... ...
en un nuevo tiempo
paciente la propia suerte
la voz ronca viene de fuera
impaciente
cruza mis tímpanos.

29.7.09

Labuta



......................em más condições
......................de trabalho
......................canavieiros atuam
......................no plantio da cana
......................sem direito a água,
......................banheiro
......................e equipamento de proteção
......................duvida?
......................vejá-lhes as mãos

Comecei a labutar cedo na roça. O que me sustentava durante o dia, era um punhado de farinha com sal e um pouco de água salobra.




27.7.09

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Cartas de doações


o retrato dilacerante

de um rebolado

é deprimente.

24.7.09

A última palmada

Sobre o estado de minha mulher

no vai e vem

a menina

flutuava.

Alinhar à direitahoje,

só o vento

move

o balanço.

Eu sempre fui espancada.

Sempre.

Desde o começo.

Não tinha horário, era de noite, de madrugada, de manhã. A qualquer hora.

Quem me espancava?

Não, não era o meu pai. Nem cheguei a conhecê-lo. Ele foi mais um desses que na hora do vamos ver dá pra traz.

Eu era espancada pela minha mãe.

A que me colocou no mundo sem eu pedir.

Ela não era sã das idéias. Quando surtava me batia, me enchia de pancada.

Eu nunca me dei bem na escola. As vezes mal conseguia sentar-me na carteira. Minha bunda doía. Meus braços doíam. Minha alma doía. Eu era um poço de dor.

Ontem foi a última vez que a minha mãe me deu uma surra. Demorei pra chegar em casa, pois sabia da possibilidade de apanhar dela. Por isso fiquei perambulando por uma praça, e quando me deu fome voltei.

Se não fosse a fome, eu não teria apanhado.

Cheguei em casa e minha mãe estava lá: estérica, surtada.

Me chamou de puta, vadia, vagabunda, depravada. E foi logo pra cima de mim, com toda sua insanidade, me agredindo com nunca havia feito.

Gritei, gritei de dor e por socorro.

Quando pensei que a surra havia terminado, corri pro quarto com o sangue me escorrendo pela face. O corpo dolorido. Um poço de dor.

E ela me acompanho, primeiro com os olhos depois com as mãos, atirando sobre meu pobre corpo o armário de roupas.

Parti...

Sobre o estado de minha mulher